Roma: Galleria Borghese, um dos melhores pequenos museus do mundo
Não é por acaso que a Galleria Borghese é considerada um dos melhores pequenos museus em todo o mundo. Reúne sob o mesmo tecto obras importantes de Bernini e Caravaggio, bem como outras peças clássicas, renascentistas e neoclássicas. O cenário é uma belíssima villa do séc. XVI, decorada com frescos e inserida na paisagem verde de um parque. Tanto a villa como este parque pertenceram, outrora, ao cardeal Scipione Borghese, um grande amante da arte do início do período Barroco. Curiosamente, o cardeal foi o mecenas de Bernini e Caravaggio, razão pela qual recolheu debaixo do seu tecto algumas das obras-primas destes dois grandes nomes da arte italiana.
A Galleria Borghese está dividida em três pisos. A cave acolhe os clientes, que ali podem levantar as suas reservas, comprar audioguias e publicações relacionadas com as exposições da villa. Também é possível bebericar um café no local, ir à casa de banho ou, simplesmente, entreter-se com as exposições temporárias que, de quando em vez, são ali apresentadas.
No rés-do-chão estão algumas das obras mais importantes da villa, como “Apolo e Dafne” ou “David”, ambas de Bernini, ou os quadros “Madona da Serpente” e “Auto-Retrato como Baco Doente”, de Caravaggio, ou “Deposição”, de Rafael. Dispensam, a meu ver, descrições mais pormenorizadas. O piso superior é dedicado à pintura italiana e seus movimentos e escolas artísticas dos sécs. XVI ao XVIII. Aqui, destacam-se, por exemplo, “Amor Sacro e Profano”, de Ticiano, ou “Dánae”, de Corregio. A primeira pintura, pintada para um casamento, lembra à jovem noiva que o amor mundano faz parte do divino e que o sexo é apenas uma extensão do casamento. Já a segunda é considerada uma obra-prima de sensualidade: Cupido puxa os lençóis, enquanto Júpiter inunda Dánae com o seu amor.

Apolo e Dafne, Bernini | D.R.
David, Bernini | D.R.
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Amor Sacro e Profano, Ticiano | D.R.

Danae, Correggio | D.R.
Talvez pela fama que tem, é impreterível reservar com antecedência a entrada na Galleria Borghese, que deve ser feita via online. Durante a compra do bilhete, o nome e apelido devem ficar de acordo com o Bilhete de Identidade, sendo ainda imprescindível escolher a que horas visitar o local. Cada visita tem a duração de duas horas. Começa às 9 horas da manhã a primeira e termina às 11 e assim sucessivamente até às 19 horas. O bilhete custa 9 euros, mas cai para metade se for cidadão da UE com idades entre os 18 e os 25 anos. Para quem tenha menos de 18 anos ou idade superior a 65 a entrada é gratuita.
Particularmente, achei as duas horas de visita muito pouco tempo. Ficou-me duas salas por ver de forma pormenorizada. A minha dica é comprar o audioguia, na cave, cujo preço são 5 euros. Há disponível em italiano, inglês, francês, alemão e espanhol. A visita é feita sempre a andar, não havendo praticamente pausas durante as duas horas caso queiramos chegar ao fim do percurso. Sugiro que a visita seja feita logo às 9h da manhã. Geralmente, as pessoas atrasam-se, evitando assim congestionamentos no acesso às salas, principalmente às que contêm importantes obras de Bernini, Caavaggio ou Rafael. Após a minha visita, às 11h, a cave estava cheia com as filas de pessoas do horário seguinte, que se aglomeravam desesperadamente para entrar em primeiro lugar. Uma loucura que pode ser evitada. A galleria encerra às segundas-feiras.
Infelizmente, câmaras fotográficas ou de filmar estão impedidas no local, pelo que as fotos que aqui tenho de algumas obras de arte foram retiradas da Internet. Para chegar ao local, o ideal será apanhar a linha A do metro de Roma e sair na estação Piazza di Spagna. Daí é só seguir as indicações Villa Borghese – Via Veneto. Estas, contudo, não foram bem explicitas para mim, pelo que deixo aqui uma dica. É necessário passar à porta de um Carrefour no local e ao lado de um parque de estacionamento subterrâneo. Se for esse o caminho que está a seguir, está quase na Villa Borghese. E, sim, a galeria é mesmo um dos melhores pequenos museus do mundo. Eu repetia a experiência.

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